O jovem brasileiro que se incline à literatura possui uma vantagem para escolher se segue ou não a sua disposição natural. Esta é a de se desenhar claríssimo o futuro que lhe aguardará caso opte por segui-la. A ilusão é-lhe impossível. Basta vasculhar alguns diários ou cartas de escritores do passado. Ou então refletir se há, vivo, algum exemplo de “sucesso”, de “reconhecimento” que lhe poderia servir de meta. Não há nenhum. O candidato a escritor, se refletir um pouco, concluirá que não inveja a situação de nenhum outro escritor de seu país. Daí que chegará facilmente à questão fundamental, que talvez fique encoberta para jovens de outras nacionalidades: é possível imaginar outra vida? seria tolerável privar-se de escrever e exercer outra ocupação? Pensando nisto, poderá escolher, pelos motivos certos, a vida que deseja para si.