Há desafortunados que chegam à vida adulta desprovidos da experiência da lealdade, a qual, se refletirmos bem, não costuma ser comum. Contudo, aquele que teve a sorte de viver as circunstâncias necessárias para assimilá-la, tem de dar um passo adiante. Por mais que a valorize, por mais que através dela tenha incorporado lições importantes, é preciso que perceba sua insuficiência para sustentar uma relação. Excelente, sim; mas não mais do que pré-requisito. É voltar, pois, a São Tomás de Aquino, fortificado da experiência para lhe dar maior razão.
Ensinar é, decerto, uma atividade muito prazerosa…
Ensinar é, decerto, uma atividade muito prazerosa, às vezes mais do que o próprio aprender. Contudo, é fácil torná-la frustrante: basta que o professor crie expectativas, ou melhor, basta que tente forçar o aprendizado. Leva um tempo para entendê-lo, e só então se pode desenvolver a resposta devida, que se resume a uma disposição sempre aberta, sempre bem-intencionada, mas que espera pelo sinal positivo antes de agir. Pacientemente, aguarda que o interesse se manifeste e, sabendo que tanto este como o resultado de seu ensinamento estão além do que controla, pode enfim desfrutar a experiência de ajudar.
Através da aparência fenomênica…
Através da aparência fenomênica dos livros de Kant, aprende-se que só é possível ter uma opinião sobre a aparência fenomênica de Kant, uma vez que o Kant em si não pode ser conhecido. Igualmente, a filosofia de Kant não pode ter senão sua aparência fenomênica apreendida, tal como um cachorro, uma geladeira ou uma equação. Agora, acontece o seguinte: a partir do momento em que se aceita esse preceito, tudo se justifica, salvo o estudo e, finalmente, a vida. É incrível como tenha podido haver exércitos de kantianos que viveram como homens comuns, isto é, que aceitaram essa fantasmagoria e permitiram-se uma morte natural. Em verdade, para isso só parece haver uma explicação, um tanto desabonadora para a filosofia de Kant.
Ironias à parte, temos muito de aprender…
Ironias à parte, temos muito que aprender não só com as lagostas, mas também com os chimpanzés e até com os ratos, uma vez que a ciência nos ensina que nossos materiais genéticos são praticamente idênticos. Quem diria que, afinal, as diferenças qualitativas são menores do que se supunha no tempo de Aristóteles, quando não havia ferramentas de medição, senão a mente. Agora, podemos tomar consciência de que o que difere um homem de um rato não é mais do que ilusão! Sem dúvida, é interessantíssimo esse inovador método da neurociência, que estuda animais para tirar conclusões sobre seres humanos. É o contrário do que faz a psicologia, que estuda seres humanos e tira conclusões sobre animais.