Em todo plano de longo prazo, é fundamental…

Em todo plano de longo prazo, é fundamental estabelecer etapas a serem percorridas, cada qual encerrando um objetivo menor. Durante o processo, serão estas, muito mais do que aquele, a serem usadas como referências, e é nelas que a mente se deve concentrar. Assim, evita-se mirar um alvo demasiado distante, o qual se hesita na possibilidade de alcançar. Concentrando-se em pequenas metas e estágios de fim sempre visível, a motivação ganha a consistência necessária para não se deixar afetar pelo provável não será.

O exercício da disciplina

O exercício da disciplina, mesmo em tarefas aparentemente pouco importantes, fortalece o senso de continuidade entre os dias, produzindo, no longo prazo, a consciência de um ritmo próprio que satisfaz-se enquanto trata de evoluir. Daí brota o prazer de simplesmente dar sequência àquilo que se começou no passado, com perícia superior à de ontem e inferior à de amanhã. Com o tempo, a evolução torna-se motivo de orgulho, e se experimenta na rotina, concretizadora de uma obra demorada, um forte envolvimento emocional.

A desconfiança com que o homem moderno…

A desconfiança com que o homem moderno toma conhecimento dos mais impressionantes relatos do passado é desconcertante. Sua mente bloqueia: constrói as condições inacreditáveis relatadas ao ponto de poder inteligi-las logicamente, mas o sentido como que lhe escapa, barrado por uma muralha intransponível, até que, finalmente, sente brotar o deboche, o desprezo, justificados pela alegação tão mágica como infundada da ausência de veracidade do relato. Mas esta não serve senão para livrá-lo do problema de refutar ou ter de admitir que aquilo simplesmente aconteceu. Vencido o desconforto, é hora de creditar emocionadamente algum contemporâneo imbecil.

Hermann Hesse é um escritor-modelo

Hermann Hesse é um escritor-modelo. E pena que seja um exemplo tão raro, cujas páginas jamais fazem gastar o tempo do leitor. Ao lê-lo, experimenta-se a sensação de que o assunto abordado é sempre importante, a motivação artística é sempre verdadeira; e mesmo naqueles momentos em que o autor se permite voar para áreas mais nebulosas e incertas, como o faz em Demian, percebe-se que o intuito não é outro senão expressar artisticamente experiências reais. Por vezes, também vai por temas que não são os seus prediletos, mas são temas necessários, e que conferem à sua obra aquela importante abrangência que demonstra o autor não ter sido cego para o panorama geral da vida. Lê-lo é sempre uma grande satisfação!