Quincas Borba, de Machado de Assis

Quincas Borba

A mim, Rubião — protagonista de Quincas Borba — é o maior personagem de Machado de Assis. Já li diversos críticos a ressaltar a impotência dos personagens de Machado, a inabilidade para com a vida, a inaptidão, a apatia. Muito bem! E ademais não sofremos a dizer que em Rubião a figura humana se apresenta em amplitude, em precisão. Lendo Quincas Borba, vemos a filosofia sepultada pela paixão, a inteligência transfigurada pelo amor e, acima de tudo, Rubião a percorrer o íngreme declive pelo qual todo homem tem de enveredar. Finda o livro, cômico e melancólico, ridículo e triste, ambíguo como a vida sempre é. E se acaso deixa em nós alguma dúvida quanto a que sentir, o mestre trata de nos aconselhar:

Eia! chora os dous recente mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.

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