Aquele que se expõe ao público, se faz algum sucesso, pode estar certo do seguinte: haverá, sem dúvida, um dia ruim, um dia em que, por qualquer motivo, demonstre fraqueza, falhe ou simplesmente provoque uma má repercussão. Neste dia, surgirão detratores de todos os cantos, em número muito superior ao que julgar possuir. O coro passará impressão de unanimidade; o que disser soará como o senso comum. Sua imagem, portanto, sofrerá um abalo, e momentaneamente ninguém se lembrará daquilo que fez e que é. Será, é claro, uma experiência assaz desagradável; mas publicidade significa ter de vivê-la, e saem fortalecidos aqueles que a suportam sem desequilibrar.
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Exatamente como não se pode fugir da inveja…
Exatamente como não se pode fugir da inveja ou de inimizades indesejadas, não se pode evitar antipatias instantâneas e fatais. É mesmo intolerável: o inútil destas experiências salta aos olhos; um homem comum faria de tudo, abriria mão de quase tudo para evitá-las. Mas não tem essa opção. O príncipe deste mundo tem ideias, e o força a vivê-las sempre, não importa o quanto as deteste e o quanto tente delas se esquivar. Acordará feliz, num daqueles dias em que a vida parece fluir suave, controlada, prazerosa, e então se azedará tudo com o encontro desnecessário. Ri-se o diabo…
O investidor, não importa o quanto domine…
O investidor, não importa o quanto domine a literatura financeira, só entenderá deveras o que é uma crise quando vivê-la; quando, tendo os recursos inteiramente alocados em ativos financeiros, vir a crise estourar. Antes disso, o mais que souber será pouca coisa. Depois disso, pode enfim dizer que se batizou como investidor. E assim ocorre em inúmeras outras ocasiões. Às vezes, a natureza de uma experiência só pode ser assimilada quando o sangue ferve e o coração dispara: é somente a sofrendo que se pode captar o seu poder.
O sujeito gosta de café. Por anos…
O sujeito gosta de café. Por anos, por uma vida inteira, toma-o todas as manhãs e sente prazer. Agrada-o o golpe quente na língua, o sabor que permanece na boca, o estímulo mental evidente, do qual depende para trabalhar. Crê-se apreciador da bebida, como crê nos efeitos benéficos reais que ela traz ao seu cotidiano. Em suma: o café o deixa feliz. Então chega o dia em que prova um café de qualidade superior, que lhe deixa o paladar extasiado. Quando retorna ao velho café que bebia, percebe claramente tratar-se de lixo. Investiga a respeito e descobre tratar-se de lixo deveras, no qual o café real, mas em grãos de pior qualidade, é misturado às impurezas mais variadas, entre elas algumas inomináveis, e o todo é torrado além da conta para que lhe sejam mascarados os defeitos. Deste dia em diante, o mesmo café, a bebida tão apreciada que lhe deu prazer por toda a vida, nunca mais o satisfará. E a filosofia, como o faz sempre, escancara a pergunta: vale a pena o conhecimento?