Da mesma forma que a um forasteiro pode parecer imodéstia aquilo que um carioca chamaria de “personalidade”, o mesmo forasteiro, em contato com chineses, poderia estranhar-lhes a modéstia, que por vezes parece exagerada ou irracional. Acontece que, em ambos os casos, tais impressões seriam falsas, e nada diriam sobre os indivíduos, afora estarem em harmonia com o costume local. Aqui, percebe-se quanta confusão pode gerar o contato com outros povos, e quão pouco se pode conhecer dos indivíduos quando se ignora as regras de comportamento predominantes em sua região.
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“Saving for retirement will be irrelevant”…
O multibilionário Elon Musk disse recentemente que “saving for retirement will be irrelevant” e, como se soubesse o que venho fazendo e sofrendo há mais de dez anos, deu-me um conselho pessoal: “Don’t worry about squirreling money away for retirement in 10 or 20 years. It won’t matter”. Sem dúvida, tais palavras cairiam muito bem no dia mais feliz de toda a minha vida, e seriam justificativa mais do que suficiente para que eu começasse a queimar o pouco que juntei. Mas, no tocante ao dinheiro — e somente ao dinheiro!, — sou como Schopenhauer. E isso significa que sou incapaz de acreditar nas palavras do visionário engenheiro de foguetes e explorador espacial, crendo muito mais plausível que, num futuro como este, eu descobrirei uma maneira de falir. Seria lindo, maravilhoso, aposentar-me agora e aguardar o dia em que já não será necessário me aposentar. Comprar um pequeno buraco, acender o meu cigarro e escrever. Sentar numa cadeira de balanço e contemplar as nuvens, tomar todos os dias o meu sol matinal. Muito, muito bonito… mas preciso de outra vida para ser capaz de confiar num robô.
Deixar-se envolver na teia de afazeres…
Deixar-se envolver na teia de afazeres e responsabilidades da vida mundana praticamente sela, pelo tempo que este estado perdura, a possibilidade de que a mente perceba o quanto se está a desperdiçar. Só poderá percebê-lo depois, com sorte, quando o desperdício já estiver consumado. O positivo da situação é que o aprendizado costuma demandar o erro experimentado em ato pessoal; quer dizer: primeiro o deslize, depois a lição. Sem desperdiçar-se temporariamente, a mente não assimila as consequências concretas de fazê-lo. Mas ocorre que, após certo ponto, o que havia de instrutivo ou foi assimilado, ou se provou inócuo, e a mente ou decidiu transformar-se, ou aceitou encerrar-se num ciclo interminável de repetições.
Para atletas, nada há de mais frustrante…
Para atletas, nada há de mais frustrante que as lesões, sempre inoportunas. O que elas fazem é interromper a evolução e forçar uma pausa, a qual, se não respeitada, tende a agravar ainda mais a situação. Daí que, muitas vezes, o atleta tem de lidar com a perda de seu condicionamento construído a duras penas, enquanto repousa contrariado e observa seus companheiros e adversários progredirem. Pensa em quanto terá de se esforçar para recuperar o nível, sente toda a impotência perante a fisiologia, que lhe determina o tempo de recuperação. Afinal, não vê senão uma escolha para a recuperação plena e o retorno sem limitações: aguardar. A lesão, pois, o ensina a ter paciência. Se consegue superá-la, retorna mais maduro ao esporte: mais consciente, mais cuidadoso, capacitado a maiores provas. E cabe dizer o seguinte: a vida intelectual possui, também, as suas “lesões”.