Apesar de toda a extensa documentação a respeito do horror do experimento comunista sobre a terra, um horror tão absoluto que torna quase impossível uma investigação prolongada sobre o tema, visto que investigá-lo é deparar-se com relatos infinitos de privações, miséria, tortura, corrupção moral e aniquilamentos tão variados quanto a imaginação humana, é inacreditável notar que a palavra comunismo não só não desperta o terror condizente, mas a muitos é inócua e a outros ainda seduz. Este fato é uma exclamação tão acachapante que tem de, obrigatoriamente, ser evidência de uma profunda lição. A nível coletivo, o comunismo resumiu-se a uma carnificina que elevou a miséria a um patamar inédito; a nível individual, resumiu-se à degradação. Neste deplorável experimento, o que se viu foi o florescimento daquilo que há de mais traiçoeiro e selvagem, a expansão desenfreada da crueldade e da opressão; o indivíduo médio foi submetido a uma vida de miséria e privações involuntárias, espólio, tortura psicológica a níveis inconcebíveis, de forma que sua própria sobrevivência passou a ser condicionada à submissão. Fuzilamentos incessantes, sem motivo nem piedade, mas que, diante do cenário geral, mais pareceram um livramento aos fuzilados… E tudo isso, embora massivamente registrado, embora ao lado de um obituário infinito, parece inútil. Só há uma lição a se tirar: o homem é absolutamente incapaz de aprender.
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O que há de próprio e distintivo…
Embora esteja evidente o que há de próprio e distintivo na cultura brasileira, mais evidente é a mania de querer imitar outras culturas, especialmente naquilo que elas têm de pior. Essa importação de defeitos, que só tem a se acentuar com a cada vez mais intensa globalização, parece fundada numa necessidade injustificável de aceitação, que renuncia à autenticidade e estabelece um elo falso visando agradar. As nações têm suas particularidades, e o que chamamos tradição — esse bicho que não é nada sem o tempo — se estabelece, primariamente, como a capacidade de reconhecê-las, algo que decerto carece esse nosso jovem país.
O indivíduo comum só tomaria consciência…
O indivíduo comum só tomaria consciência da importância dos valores e condições que lhe foram legados caso pudesse sentir, na carne, tudo quanto foi sofrido pelos seus antepassados. Algo, pois, impossível. Poucas palavras são, por exemplo, tão secas como “liberdade” quando pronunciada em países livres. A semântica esconde o volume de sangue derramado para conquistá-la e, para que cidadãos livres a compreendessem, seria preciso que vivenciassem a sua ausência. O mesmo se dá em muitos outros casos, e disso percebemos que, quando a história e a educação lhe são inúteis, é ridículo falar neste tal “progresso”.
Uma geração nunca aprende com o passado
“A história se repete” é uma afirmação verdadeira porquanto amparada na absoluta incapacidade humana, atestada por cada geração, de transmitir adiante o aprendizado de suas experiências. Por isso a civilização acha-se sempre à beira dos mesmos colapsos e revoluções pregressas, refém dos mesmos erros, explorada por novas versões das mesmas armas, sujeita aos mesmos esquemas de domínio, aos mesmos tipos guiados pelas mesmas ambições. Uma geração nunca aprende com o passado, e o que aprende com o presente terá de ser aprendido com o presente de novo e de novo pelas próximas gerações.