O que há de mais comum é julgar erroneamente uma personalidade por simplesmente encontrá-la deslocada. É difícil, porém, percebê-lo, porque não se pode conhecer de imediato a essência de ninguém. Esta só se revela quando em condições propícias, as quais muitas vezes não consegue produzir. Daí se torna possível o contraste: o mesmo homem, num ambiente, pode exibir qualidades impressionantes, enquanto noutro pode provar-se abaixo do medíocre e passar uma lastimável impressão. Não importa o quão difícil seja, mas é preciso esforçar-se por não ser este homem, reconhecendo que aquilo que se mostra é exatamente aquilo que, naquele momento, se está a cultivar.
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O mais evidente embaraço do investimento…
O mais evidente embaraço do investimento que se faz na vida é o receio de arriscá-lo, frequentemente paralisador. Perde-se aquela disposição para o incerto, sem a qual não se pode evoluir. Para não mencionar o verdadeiro prazer do desafio, tornado impossível quando a mente se vê dominada pelo medo de perder. Não há dúvida de que há diversão na imprudência, no agir que não se anula medindo consequências; mas para divertir-se com sabedoria, é necessário alcançar um patamar de consciência superior.
O brasileiro parece fadado a não superar…
O brasileiro parece fadado a não superar a juventude, ou, pelo menos, a ter de vivenciar por muitos anos um contraste incômodo entre suas preferências e sua idade, até que a natureza dê cabo da situação. Ainda assim, são permanentes os efeitos psicológicos deste problema que, em verdade, não tem razão de ser. Toda essa dificuldade em enxergar o passado como etapa concluída, sem renegá-lo nem desmerecê-lo, mas admitindo que não mais condizem as antigas inclinações, é algo que só pode ser atribuído a uma formação deficiente. Não é o medo, nem uma verdadeira identificação que impede o avanço no tempo, mas a incapacidade de enxergar na vida uma finalidade com a qual este só tende a contribuir.
Talvez ainda não tenha sido escrita…
Talvez ainda não tenha sido escrita a obra que documenta a deterioração nas relações cotidianas em razão da justificável aversão às empresas, que cristaliza-se num reflexo repelente a qualquer tipo de abordagem inicial. O homem que, hoje, possuir um número de celular, e caminhar diariamente por avenidas comerciais metropolitanas, terá de desenvolver um escudo antiempresas; do contrário, passará boa parte do dia lhes dando atenção. E como estas, perspicazes, estão sempre desenvolvendo novos meios de “humanizar” o assédio, o escudo acaba, cedo ou tarde, voltando-se contra pessoas comuns. O fenômeno está aí, suas vítimas pululam, e mereceria louros aquele que justificasse objetivamente a resultante falta de educação.