Mero exercício de transcrição

A sensação de ser capaz de escrever infinitas páginas, somente transcrevendo a guerra psicológica permanente e seus capítulos intermináveis. Conflito implacável, aflição contínua, tranquilidade que quase nunca vem… Palavras do mestre oportunamente relembradas: “Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra”.

____________

Leia mais:

A explosão de um conflito interior insuportável

Contraposta à representação de fenômenos externos, percebo a grande arte como a explosão de um conflito interior insuportável. Quer dizer: o artista imprime aquilo que o atormenta ou o objeto de seu desejo irreplegível. Obsessões psicológicas, sentimentos que o atacam violentamente… a grande arte é consequência de uma guerra interior. Exatamente por isso, é raro que se apresente como agradável. Intensidade nada tem que ver com paz…

____________

Leia mais:

Rindo-me do que enfurece…

Reparo-me com enorme contentamento os desacatos à polícia da linguagem que, como a polícia dos costumes, pretende-se senhora da razão. Acho engraçado e orgulho-me da rebeldia. Sinto-me chegado, pois, dos crucificados que sempre me despertaram a admiração…

____________

Leia mais:

A ilusão de liberdade poética

A evolução da poesia ao longo dos séculos passa-nos uma falsa ilusão de liberdade angariada, deixa parecer a nós que, no decorrer dos séculos, os poetas foram paulatinamente se livrando das amarras dos versos até alcançar o verso livre.  Em parte, os poetas provaram-se capazes de quebrar antigas convenções, introduziram novos recursos expressivos (o enjambement, por exemplo) e alargaram as possibilidades estéticas da poesia. Mas é falso que pensar que, sentando-se a compor, o poeta sente-se livre quanto à forma, mesmo em verso livre. Isso, é claro, se for bom poeta. Mas por quê? Porque ainda que abra mão da métrica, das rimas, varie as estrofes e extrapole os limites do verso, o poeta estará preso ao ritmo. Se pretender compor um bom poema, não é livre para colocar as palavras onde quiser. Ritmo, balanço entre sílabas tônicas e átonas, movimento cadenciado de sons: no dia em que for considerado bom o poema que ignore esses princípios, seremos todos — de analfabetos a filisteus — grandes poetas.

____________

Leia mais: