A simpatia é a embalagem costumeira da falsidade

“Simpático ele, né?” Oh, simpaticíssimo! um amor! E sabe bem o pai da mentira quanto se ganha desta qualidade venerável… Mas aí está: as relações sociais exigem máscaras, e a simpatia é a embalagem costumeira da falsidade. Digo e não hesito: a sinceridade tem aspecto terrível! Pois é possível ter qualquer apreço à vida social, sabendo-a um grande teatro? É possível sorrir em resposta ao sorriso cuja motivação se conhece? É possível não julgar a simpatia como uma manifestação quase sempre detestável? Perguntas retóricas, porquanto as respostas já contam bons séculos…

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O pensamento só floresce no silêncio

O pensamento, o progresso intelectual associa-se ao silêncio. Quer dizer: é impossível pensar no barulho; o pensamento exige o silêncio para florescer. E, ao notar os benefícios numerosos do silêncio, da solidão e da quietude, é forçoso concluir que adaptar-se ao silêncio é fortalecer o caráter, é moldar a própria personalidade. Os pensamentos mais elevados sempre brotam de onde não há vozes, e a voz interior só aparece quando o mundo se cala. Por isso, é muito claro o caminho do conhecimento — difícil é ter coragem para trilhá-lo.

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Exigências da formação intelectual

A formação intelectual exige, fundamentalmente, duas tarefas: estudar os grandes autores, e estudar autores com visões de mundo radicalmente conflitantes. De início, o óbvio: é questão de respeito à própria inteligência brindar-se com os grandes. Os clássicos devem ser lidos, estudados, absorvidos, integrados à personalidade de quem se pretenda intelectual. Então, com a base assentada, é possível almejar evolução. O passo seguinte é transformar a mente num violento campo de batalha. O intelectual precisa, necessariamente, do conflito, do choque de ideias: só assim é possível progredir. Ler autores conflitantes é entender a complexidade da vida, as variações nos mecanismos de percepção, é reconhecer e aceitar o ambíguo. Mais: conversar com mentes díspares, se sinceramente, não só alarga o conhecimento como impõe a humildade, escancara méritos onde dizem não havê-los, em suma, engrandece. Por isso é forçoso conviver, lidar com opostos, abandonar prejulgamentos, libertar-se das correntes do pensamento. O caminho contrário é repetir o conveniente, denegar as contradições e jamais evoluir. Deixar que as ideias rebentem livremente é deixá-las, à força, arrastar a mente à inteligência.

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Vencer ou sucumbir à morte

Parece, no fim de todos os tormentos, resumir-se a vida na seguinte questão: vencer ou sucumbir à morte? E a resposta, que não é senão a própria obra, entrega um tormento adicional (tormentos… nunca se esgotam!): o vencer a morte aparenta dependente de um fator externo incontrolável e sujeito à incerteza, ou seja, sujeito ao fracasso mesmo que injusto. Quer dizer: a maldita fortuna, ainda no fim de todas as coisas, ainda após todas as provações e mesmo que após respostas formidáveis, parece ter influência decisiva. E assim o impulso a amaldiçoar a vida afigura-se como irresistível.

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