A vida não parece suportável senão às naturezas leves

Trecho de Emil Cioran, em minha tradução:

Sem a faculdade de esquecer, nosso passado pesaria de um modo tão esmagador sobre nosso presente que não teríamos força para abordá-lo um só instante, muito menos nele embarcar. A vida não parece suportável senão às naturezas leves, precisamente àquelas que não se recordam.

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Conhecimento e juros compostos

O conhecimento equipara-se aos juros compostos. Destes disse Einstein “the 8th wonder of the world. He who understands it, earns it, he who doesn’t, pays it“. Em ambos os casos, a ascensão é atrelada ao tempo e se dá de forma exponencial, ou seja, maior a distância percorrida, maior a aceleração. Obstáculos escabrosos, com o tempo, tornam-se facilmente superáveis, e as possibilidades momentâneas jamais representarão as futuras. Há, é claro, a ressalva: quer no conhecimento, quer nos juros compostos, o avanço é condicionado à reinversão.

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Alcançar a ventura

Perdendo as ilusões, aceitando a morte, libertando-nos dos grilhões pecuniários, rindo de nosso ridículo, orçando-nos a mediocridade, resistindo ao desejo, aceitando a frustração, aniquilando o orgulho, dedicando o tempo àquilo que nos preenche de sentido: assim alcançamos a ventura, ou melhor: podemos lambê-la, enquanto nos não seca a língua…

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A resistência dos burocratas

Admira-me a resistência dos burocratas. No mundo sobejam burocratas. Dez, quinze, trinta anos executando, exatamente, as mesmas funções, cumprindo os mesmos processos, satisfeitos e orgulhosos da própria experiência. O semblante grave ao trabalhar, as palavras que lhes saem transmitindo segurança, perícia, precisão. Versados em relatórios, formulários, requisições formais. Mestres em procedimentos, especificações, certificados, regulamentações, atas… Admira-me a resistência dos burocratas, pois me não imagino em semelhante universo senão em desespero, frustração extrema, desejoso da morte. Trinta anos preenchendo formulários? Por favor, por favor, dê-me da mesma cicuta de Sócrates…

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