Toda filosofia que aposte na individualidade correrá o risco de ser desvirtuada pelas massas. A filosofia que, como a de Nietzsche, estimula o indivíduo a afirmar-se, concretizando a própria vontade no curso de uma vida, exige um leitor individualizado e rejeita veementemente a generalização. Uma filosofia assim pressupõe a consciência da própria unicidade e a existência de uma motivação fundamental e intransferível, sem a qual fica o ato injustificado e com a qual pode-se quase tudo. Não se pode exigi-lo do homem comum…
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Um sólido conhecimento do homem
O maior valor da psicologia, e mesmo da filosofia, consiste em fornecer um sólido conhecimento do homem para que o indivíduo que as estuda possa empregar-se com segurança na condução da própria vida ou, noutras palavras, para que possa empregar-se com segurança no direcionamento consciente da própria vontade. O estudo do homem é válido enquanto permite o estudante entender-se, descobrir-se e, finalmente, ser o que quer. Conectando-se com a própria vontade, chega o momento em que o estudo limita-se a fornecer motivos para a sua reafirmação.
Realidade próxima
A consciência de que a morte nunca está tão distante quanto se gostaria ou, antes, de que é uma realidade próxima, infunde no homem um senso de responsabilidade e urgência que, de outra forma, não pode ser alcançado. Tais qualidades são indispensáveis em grandes espíritos; sem elas, a escala de prioridades se distorce, o ato se posterga ou, no mínimo, não se executa com a devida seriedade. A grande obra é sempre precedida da percepção de sua importância e da necessidade de sua realização.
Nada parece tão impressionante…
Nada parece tão impressionante quanto a série de coincidências que, em casos frequentes, impele o homem à obra. A impressão que ficamos é de haver, para cada alma, uma missão, de forma que esta, se não encontrada, se não buscada voluntária e conscientemente, de modo algum fica prejudicada, posto que as circunstâncias, em último caso, acabam forçando a sua execução. Disso vemos como é natural aceitar a hipótese da predestinação. Há casos em que nos deparamos com eventos tão transformadores e tão decisivos, que ficamos com a sensação de que, querendo ou não, o homem, no curso de sua vida, acaba sempre se tornando aquilo que nasceu para ser.