Algumas das lições mais preciosas…

Algumas das lições mais preciosas que a vida pode oferecer são aquelas evidenciadas por um contraste para com expectativa comum. É, por exemplo, quando se descobre que a generosidade verdadeira nem sempre se dá por uma aparência generosa; ou, inversamente, que uma violência, um malefício enorme vive camuflado na melhor das disposições. Tais experiências ensinam um monte sobre a qualidade essencial das naturezas e das intenções. Com elas, aprende-se a admirar e a desprezar de maneira não convencional, mas de maneira mais digna, que valoriza aquilo que efetivamente tem valor.

No curso de uma vida, só se experimenta…

No curso de uma vida, só se experimenta a sensação de avanço com inícios e pontos finais. Sem eles, sente-se uma estagnação que, por antinatural, provoca um desconforto progressivo, o qual, ainda que camuflado, tende a intensificar-se até estourar quando menos se espera — e, então, não há como recuperar o tempo que se perdeu. Por isso é fundamental colocá-los regularmente como estacas demarcadoras do progresso. Assim efetivamente se evolui: conservando a iniciativa para novos começos e a maturidade para perceber que algo já cumpriu o seu papel.

Presenciar um único destes momentos…

Presenciar um único destes momentos de “coincidências significativas”, ou “sincronicidade”, para usar a terminologia de Jung, mais do que justifica o estudo do esoterismo inteiro, desde as teorias mais obscuras aos mais exóticos sistemas de divinação. Nestes momentos, percebe-se o quão insuficiente, o quão estúpida é essa concepção cientificista moderna, que se apoia numa autoridade ridicularizada pela violência tremenda, inquestionável e inesquecível de algumas experiências. É presenciá-lo uma única vez, e já se torna difícil interessar-se por qualquer coisa “científica” — cai por terra o sagrado do adjetivo. Então, o verdadeiro problema: imergir neste que é o território mais prolífero de picaretas. Mas não há saída: é ouvi-los, talvez ludibriar-se, e descobrir, no fim das contas, o que foi possível se tirar de bom.

O grosso da insatisfação nasce da vaidade

É escandalosamente óbvio que o grosso da insatisfação nasce da vaidade; e quanto mais se consegue tolher esta última, menos se experimenta a primeira. Evidente, indiscutível. Porém, costuma ser necessário um estado de desilusão completa para percebê-lo deveras. Não há desilusão sem expectativa, e não há insatisfação sem vaidade. Alimentar este vício é erro grave, porque ele jamais provoca algo de bom. Para aniquilá-lo, às vezes é preciso romper vínculos, cortar raízes; mas o esforço é compensador. Então se pode concluir praticamente que toda insatisfação é sem fundamento, e que a vida é muito melhor quando se rejeita o hábito de reclamar.