Poder, como Radhanath Swami, escrever um livro como este The journey home, e chamá-lo de autobiografia, é algo que uma parcela ínfima dos homens de todos os tempos tiveram a oportunidade de fazer. E é difícil imaginar o quão satisfatório deve ser olhar para trás e ter vivenciado uma história como essa, tão incrível como instrutiva, e somente não modelar porque jamais poderá ser vivida por um homem comum. Para ter experiências parecidas, é preciso ter a coragem própria dos loucos, que nada temem e estão sempre dispostos a perder o que têm. Mas aí está uma prova mais de que a loucura compensa, e de que este mundo parece um tanto diferente para aquele disposto a sacrificar-se para realizar aquilo que mais intimamente quer.
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Sempre que se tende a reclamar da má sorte…
Sempre que se tende a reclamar da má sorte, das obstruções impostas pelo destino, convém recordar um punhado de biografias, antigas e modernas, que demonstram o quanto é possível fazer dispondo apenas da vontade. O efeito é humilhante. Porque, em verdade, quando esta é suficientemente forte, faz-se o que se quer. E os exemplos que não acabam impõem a conclusão de que a falta de condições e recursos são menos impedimentos reais do que subterfúgios empregados por aqueles que talvez não queiram o bastante, ou simplesmente não mereçam o que lamentam não poder realizar.
Em todo plano de longo prazo, é fundamental…
Em todo plano de longo prazo, é fundamental estabelecer etapas a serem percorridas, cada qual encerrando um objetivo menor. Durante o processo, serão estas, muito mais do que aquele, a serem usadas como referências, e é nelas que a mente se deve concentrar. Assim, evita-se mirar um alvo demasiado distante, o qual se hesita na possibilidade de alcançar. Concentrando-se em pequenas metas e estágios de fim sempre visível, a motivação ganha a consistência necessária para não se deixar afetar pelo provável não será.
O exercício da disciplina
O exercício da disciplina, mesmo em tarefas aparentemente pouco importantes, fortalece o senso de continuidade entre os dias, produzindo, no longo prazo, a consciência de um ritmo próprio que satisfaz-se enquanto trata de evoluir. Daí brota o prazer de simplesmente dar sequência àquilo que se começou no passado, com perícia superior à de ontem e inferior à de amanhã. Com o tempo, a evolução torna-se motivo de orgulho, e se experimenta na rotina, concretizadora de uma obra demorada, um forte envolvimento emocional.