O estudo disso que se convencionou chamar esoterismo é frustrante por inúmeras razões. A primeira delas é a quantidade de farsantes e falsários que pululam neste terreno. Depois, o universo tedioso que o envolve. Mas, sobretudo, é por não entregar aquilo que promete que o esoterismo se torna mais frustrante. Ao menos, por ele o estudante não se realiza, e só o descobre após muito estudo, quando não após algo pior. Contudo, seria faltar com a verdade classificar este estudo como vão. O “esoterismo” se apropriou de uma tradição que, sem ele, vinha quase esquecida. Mas além disso: após milhares de páginas, percebe-se que algo se aprendeu. E ainda que, durante o processo, tal aprendizado não se tenha mostrado evidente, o próprio estudo, quiçá valendo-se das páginas como intermediárias, ou como inspiração, dá a impressão final de ter revelado algo de valor.
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A matemática financeira tem algo de cruel
A matemática financeira tem algo de cruel. Estudando-a, verifica-se sem muita dificuldade que ela funciona, isto é, que o longo prazo realmente concretiza a teoria da multiplicação. Embora recente, ela já dispõe de dados históricos suficientes para estimar com certa segurança os resultados de diferentes cenários, incluindo aqueles impremeditados. O risco, também, já se quantifica em números um tanto confiáveis. Daí que todos esses cálculos, todas essas estimativas, toda essa maneira suficientemente segura de operar, com resultados mais que satisfatórios, fundamenta-se sempre em percentuais. O cálculo mais mirabolante, o computador mais poderoso não se consegue livrar desta imposição: uma porcentagem é sempre relativa ao principal.
Nunca é fácil visualizar o ensejo presente…
Nunca é fácil visualizar o ensejo presente e calcular quão rapidamente ele terá sido uma oportunidade que se foi. Algumas decisões maturam muito antes do que se espera, e quando se percebe, a própria hesitação já frutificou. Um intervalo de cinco míseros anos cria uma nova realidade, na qual o passado materializou-se em consequências visíveis com as quais só se pode aprender. Aprende-se, decerto, mas o conhecimento adquirido acaba por não ajudar muito a vencer, no presente, aquela dificuldade inicial.
A visão de mundo que elimina da realidade…
A visão de mundo que elimina da realidade o não mensurável e não compreensível, para além de infantil e esterilizante, tende a capacitar o homem a atos monstruosos e torná-lo um animal supinamente traiçoeiro. A compreensão errônea que faz do mundo distorce a importância que reputa a si mesmo, minando as noções de dependência e fragilidade. Mas o pior, sem dúvida, é a ilusão de sentir-se liberto, isolado, habilitado a todo o saber e a todo o agir. Medra, assim, o amor-próprio mais destrutivo que se pode conceber. Nada o sujeita, ninguém o observa, e não há contas a prestar. Tal homem, é tê-lo sempre longe e não lhe dar a menor atenção.