O homem que nutre o ideal de liberdade tende a amargurar-se muito, porque a liberdade nunca é plena e, às vezes, só aparece associada a uma restrição. É inútil querer resolver o problema: em tudo se encontra o indefinido e o determinado. O homem é livre dentro de certas condições e sob certos aspectos dos quais nunca se poderá totalmente libertar. Crer que, um dia, finalmente, conseguirá fazê-lo é simplesmente estupidez. Mas há escolhas as quais não se pode deixar de fazer; há liberdades essenciais. Somente a estas se deve direcionar a atenção.
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Paralelo ao sentimento de que o mundo exige…
Paralelo ao sentimento de que o mundo exige uma resposta individual às circunstâncias impostas, corre, às vezes latente, às vezes manifesta, a certeza de que o mundo, em verdade, é indiferente: nada exige e nada espera de ninguém. Daí que, em alguns, nasce um sentimento insuportável, um desamparo que redunda em inércia e desmotivação. O problema, decerto, está no mundo: está em tê-lo como árbitro, em querer tê-lo como amigo, em exigir dele recompensas. Já se vê que tudo isso brota de um desajuste interior. Ser indiferente à indiferença não basta, nem resolve nada; o que basta é ter algo estável como fundamento da motivação.
A primeira coisa que o estudante deve ter em mente…
A primeira coisa que o estudante deve ter em mente ao iniciar a investigação de qualquer assunto é: tudo quanto já se afirmou, já se refutou; tudo quanto já se elogiou, já se criticou; tudo quanto já se teve por regra, já se violou; e para cada exemplo de determinada teoria, de determinada corrente, de determinado estilo ou de determinada inclinação, é possível encontrar um exemplo contrário. Isso é fundamental para que o estudante tenha cautela, e não abra jamais um livro à espera de um ponto final. O bom aprendizado é estimulante, incita mais estudo e não menos, movimenta em vez de paralisar.
O destino de todo estudante sério é a solidão
O destino de todo estudante sério é a solidão. Se a ela não tem apreço, ou ao menos resistência, sua empresa não terá vida longa e provavelmente fracassará. Por esse motivo, muitos acabam abandonando o estudo, ainda que acreditem não fazê-lo. Chega um ponto, porém, em que a estagnação é demasiado evidente, e só prospera aquele que possui coragem para caminhar sozinho. Por um tempo, às vezes para sempre, é inevitável não ter com quem conversar. Gostar deste cenário de paz e de silêncio não é para todos; e é bom que seja assim.