A tradição oriental enfatiza a necessidade de um mestre espiritual

A tradição oriental enfatiza a necessidade de um mestre espiritual. Como se os houvessem aos montes… Mas é notável nos orientais a noção viva de que há um componente do conhecimento não transmissível através de livros, isto é, algo apreensível somente através da raríssima experiência direta ou da revelação de mestre para discípulo. O que impressiona é a verdadeira veneração pelos antepassados, pelos sábios, e ademais pela manutenção da tradição de, através de poucos indivíduos, ser estabelecido um elo entre gerações muito distantes através do conhecimento repassado individualmente a discípulos escolhidos a dedo. Nem o poderoso tempo parece forte o bastante para fazer quebrar a sólida corrente que os orientais firmaram para transmitir as iluminações de dezenas de séculos atrás.

 

Terras selvagens…

Tsongkhapa, em tradução inglesa:

So the freedoms consist in freedom from the eight unfree states. Among the eight unfree states, the four unfree states of humans are (1) living in a remote and savage land where the four types of followers of the Buddha do not go (…)

Quão lamentável encontrar grande parte do ocidente como “terra selvagem”! Procurando, encontra-se sem muita dificuldade cobras venenosas atravessando rodovias ocidentais; já seguidores de Buda… Contudo, o alvitre é assaz instrutivo, e embora o mais das vezes não seja tarefa simples segui-lo, ampara-o a constatação de que sempre é difícil aquilo que gera satisfação e orgulho duradouros.

Não tendo companhias, convém andar só

Consta no Dhammapada: não tendo companhias, convém andar só. E grave será o erro do homem superior que desleixar a recomendação. Não podendo rodear-se de espíritos mais nobres, — ou, ao menos, semelhantes, — terá de optar pela solidão ou pela destruição de si mesmo. Se arrisca uma conciliação impossível, se cede ao instinto gregário em vez de anulá-lo, então verá, seguidas vezes, suscitar-lhe as manifestações infames que caracterizam os espíritos inferiores, a culminar num estado em que já se lhes não distinguirá. Conseguintemente, terá neutralizadas as potencialidades e, reste-lhe um resquício de tino, terá de encarar as próprias escolhas — quando já não for possível revertê-las — com a mente tomada de arrependimento e frustração.

O homem demoníaco, segundo o Bagavadeguitá

É interessante notar a descrição do homem demoníaco contida no Bagavadeguitá. Embora haja a menção natural ao modelo malicioso e cruel, a ênfase é dada ao ganancioso, materialista, cujo desejo insaciável guia-o na busca incessante de riqueza e poder. Ter isso, ter aquilo; sucesso, ambição; prazer em sentir-se poderoso; vaidade infinita… De tudo isso extrai-se uma visão de mundo luxuriosa e arrogante, que atira o ser em competição para com os outros, dando azo à inveja e à mesquinharia. Um ser que age e não poupa meios para alcançar o que quer: subjuga o mundo ao seu projeto pessoal. Nunca a parcimônia, nunca a frugalidade, nunca a compaixão sincera. Desnecessária a conclusão…