Du pouvoir, de Bertrand de Jouvenel, data de 1945. Àquela altura, já causavam pavor o crescimento assombroso do Estado moderno e a constatação de que, inexoravelmente, ele não poderia senão continuar crescendo e crescendo. Porém, com que espantosa velocidade isso aconteceu! O poder que detinha o Estado naqueles anos, isto é, há pouco mais de meio século, parece nada perante o poder que hoje detém em qualquer democracia ocidental. O Estado, hoje, possui meios para monitorar o mais íntimo da vida privada de qualquer cidadão e para aniquilar, da noite para o dia e sem o menor esforço, a vida de qualquer um que estipule como alvo. Em 1945, embora se pudesse prever a continuação do processo implacável de crescimento do poder, não se poderia imaginar a monstruosidade do arsenal tecnológico que rapidamente estaria nas mãos dos psicopatas de Lobaczewski. Entre indivíduo e Estado, a disparidade de meios é absoluta. Realmente, Lobaczewski parece ter captado algo valioso: para entender o desenvolvimento histórico, sociológico e político do ocidente, é adequado estabelecer uma ciência do mal.
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É sempre muito interessante quando…
É sempre muito interessante quando o historiador ou o biógrafo, fugindo das generalizações costumeiras, consegue esboçar a influência dos fatores econômicos nas vidas individuais. Porque tais fatores, embora às vezes superestimados, e embora isoladamente não expliquem tudo, determinam muito daquilo que se faz. Há decisões que soam irracionais se despojadas dos fatores econômicos que as motivaram, como também há provações, infortúnios e estados de espírito economicamente fundamentados. Às vezes, é neste tipo de fator que se condensam os maiores empecilhos para que uma personalidade possa se afirmar. Parece rasteiro, mas é assim.
Algo a que custa acostumar a mente…
Algo a que custa acostumar a mente a sempre ter em vista nas biografias é cotejar a grandeza de algumas personalidades com a absoluta falta de reconhecimento de tal grandeza enquanto viviam os biografados. Muitas vezes, a consagração póstuma rebuça esse contraste, e mal conseguimos imaginar o colosso, se não desprezado, caminhando pelas ruas como um homem comum. Mas é preciso tê-lo sempre em vista, e com fazê-lo aproximamo-nos muito mais da realidade que o circundava, visualizando melhor a sua verdadeira dimensão.
Há experiências inexplicáveis, cuja dimensão…
Há experiências inexplicáveis, cuja dimensão só é apreensível para aquele que as viveu em primeira pessoa. Uma dessas, sem dúvida, é a patifaria da modernidade. A quantidade de mentiras que, hoje, se ensina nas escolas, ou melhor, a quantidade de mentiras as quais os alunos assimilam não apenas como certezas, mas com veneração, é algo que homens de outras épocas poderiam compreender apenas superficialmente. Falsificações completas, como a história da Revolução Francesa, ou a biografia de figuras como Newton, Descartes, Maquiavel, ou o surgimento da chamada ciência moderna, ou a história da Inquisição, da Igreja Católica, da escravidão, e a lista não acaba, é preciso tê-las engolido e digerido muito bem para, anos depois, poder-se chacoalhar com o espanto devido ao vê-las incontestavelmente desmascaradas por uma pilha imensa de livros e documentos. Tudo mentira! Tudo, tudo, saturado de segundas intenções! Daí, então, sente-se o desprezo que a modernidade merece, e só um bom moderno é capaz de senti-lo.