É com ele que eu vou!…

Não há ironia assaz potente para expressar toda a alegria destas linhas, agora, envoltas em animadíssimos jingles. A verdade é que as palavras, estimuladas, já estão a dançar. Oh, linguagem, como comoves quando bem talhada! Futuro, trabalho, melhor, de verdade, de verdade, como a gente, diferente, diferente… A esperança é a mais nobre entre todas as nobilíssimas dádivas concedidas ao nobre espírito humano. A face, quando sorri em retorno à promessa, exibe a virtude da alma apta a confiar na irmã de bênção. E, juntas, em harmonia, são ambas predestinadas a edificar o Bem-Aventurado Empíreo Municipal!

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A grande arte exige os grandes temas

O estudo apurado da técnica artística incorre no grande risco de turvar a motivação da arte na cabeça do autor. A beleza cria-se, fundamentalmente, de uma aguda percepção e não de uma motivação abstrata. Se a estética escapa à compreensão do tíbio racionalismo, não é consequência que, despegada da experiência, represente qualquer coisa. O efeito expressivo é amparado pela técnica, mas jamais será potente se calcado em frivolidades: para ser grande, a arte exige os grandes temas.

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A rainha da procrastinação

Antipática ao trabalho, por vezes negando-o terminantemente, é incrível notar como a mente estimula-se a labutar pela procrastinação. Se não há motivo, encontra-o: quer porque quer adiá-lo, precisa adiá-lo imediatamente. Amanhã, depois: agora, não. E assim naufraga a produtividade… O que poderia ser feito, não é. O pouquinho que, somado ao longo de muitos dias, tornar-se-ia algo robusto perde-se na fumaça da ociosidade. Acho que a frase é de algum filósofo; senão, que vá de mim mesmo: há casos que, fatalmente, exigem violência.

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Os modelos de metrificação de Said Ali e Castilho

É interessante comparar os modelos de metrificação propostos por Said Ali e Castilho. Por um lado, é difícil negar que o modelo de Castilho, de praticidade imensa, estabelece critérios assaz úteis e aplicáveis à interpretação de quase a totalidade dos versos metrificados em língua portuguesa. Entretanto, se comparamos ambos os modelos, já não entre si, mas com modelos de outras línguas, percebemos que a metrificação proposta por Said Ali permite uma interpretação mais coerente dos movimentos rítmicos tradicionais da poesia. Decompor um poema em unidades rítmicas (pés) em vez de decompô-lo em sílabas poéticas parece favorecer-lhe a apreciação enquanto composição ritmada. Considerando o fim do verso exatamente na última sílaba tônica temos, muitas vezes, de romper a cadência natural do verso, ainda inacabado. Há, sobretudo, composições que não permitem versos esdrúxulos, para citar um exemplo. E, sabendo do sucesso tremendo do modelo de Castilho, impressiona que uma contraposição frontal (e assaz pertinente) como a de Said Ali tenha passado praticamente ignorada entre os poetas da língua. Por quê?

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