É triste ver que não é raro encontrar naturezas como empedernidas, para as quais o tempo não faz senão intensificar o círculo de erros de que não conseguem se libertar. A convivência com tipos assim é demasiado penosa, especialmente após alguns anos, quando se tem certeza de que não haverá mudança e a situação se agravará. Chega o dia em que o desconforto se torna insuportável e, então, só resta abandoná-los ao destino. Mas o pior é que fazê-lo não resolve o problema, e deixa na consciência uma ferida dificílima de sanar…
Categoria: Notas
Não há homem suficientemente passivo…
Não há homem suficientemente passivo que chegue à velhice e, olhando para trás, seja capaz de justificar-se como vítima da vida que levou. Isso nunca é possível, e notá-lo escancara uma preciosa lição. Há sempre uma ação que sucede as imposições do destino, e é nela que se grava a marca pessoal. Numa biografia, tais ações ficam em evidência, e assim como não se pode separá-las dos acontecimentos que as motivaram, também não se pode daqueles que, por elas, vieram a se passar. Afinal, é sempre possível apontar o peso da responsabilidade individual.
Poder, como Radhanath Swami, escrever um livro…
Poder, como Radhanath Swami, escrever um livro como este The journey home, e chamá-lo de autobiografia, é algo que uma parcela ínfima dos homens de todos os tempos tiveram a oportunidade de fazer. E é difícil imaginar o quão satisfatório deve ser olhar para trás e ter vivenciado uma história como essa, tão incrível como instrutiva, e somente não modelar porque jamais poderá ser vivida por um homem comum. Para ter experiências parecidas, é preciso ter a coragem própria dos loucos, que nada temem e estão sempre dispostos a perder o que têm. Mas aí está uma prova mais de que a loucura compensa, e de que este mundo parece um tanto diferente para aquele disposto a sacrificar-se para realizar aquilo que mais intimamente quer.
Num relato pessoal, observa-se que a sinceridade…
Num relato pessoal, observa-se que a sinceridade, quando autêntica, faz com que o interlocutor tolere praticamente tudo. Quando não condescendência, obtém ao menos boa vontade e compreensão. Assim, por exemplo, com o arrependimento sincero, causador de uma simpatia instantânea, muito distinta do sentimento que brota no interlocutor ao se deparar, em idêntico relato, com o adendo da justificação. Porque, no fundo, reage-se sempre ao sentimento motivante, e não é preciso submeter-se a um treino especializado para diferenciar de pronto a franqueza do amor-próprio.
