Se penso nos sannyasis da Índia…

Se penso nos sannyasis da Índia, naturalmente não renunciei a nada, levo uma vida de prazeres e conforto, e não lidei senão com obstáculos mínimos para exercer a minha vocação. Se, contudo, confronto-me o meio com aquilo que me tornei, se reflito no curso natural rejeitado, na vida adulta que se resumiu a deserções sucessivas, a um isolamento sempre crescente, a pequenas privações que se foram amontoando, ao abandono contínuo daquilo que era e de muito do que tendia a ser, vejo que não foi pouca coisa. Seguramente, não teria dificuldades em convencer um cidadão comum de minha loucura. E talvez eu acabe, como Lima Barreto, frequentando um hospício. Mas é certo que, tal como Lima Barreto não pôde, eu não poderia fazer algo diferente do que fiz.