A guerra da informação

O que torna a guerra da informação ainda mais abominável que aquela travada em campos de batalha é a ausência de qualquer código de guerra. Consequentemente, dá-se o vale-tudo. O que espanta notar é o número daqueles que ainda não perceberam haver, de fato, uma guerra em curso neste campo. Tal se justifica em grande parte por nenhum dos que ferozmente combatem haver publicado, como pede o protocolo, uma declaração de guerra. Então que aqueles que inocentemente se lhes entravam o caminho são acometidos por uma violência total que não tem o menor escrúpulo para destruir e não admite anistia. Esmagar o adversário, e fazê-lo por quaisquer meios que estejam à disposição, de preferência sorrateiramente, à socapa, para que a agressão não seja identificada ou, no mínimo, seja impossível identificar o agressor. É uma guerra que, em suma, adicionou infâmia à violência pura.

O Eclesiastes é eterno

O Eclesiastes é eterno por ter constatado não haver novos vícios, nem novas esperanças, que o que se fez será novamente feito, e nunca haverá algo que já não tenha sido: em suma, as circunstâncias são diferentes, mas o homem é sempre o mesmo, e cai sempre nas fraquezas do passado. É ilusória a impressão que se tem de mudança com o tempo, posto que esta se limita a aspectos exteriores de uma realidade permanente. O homem é sempre o homem, e dele não se pode esperar senão que seja aquilo que é.

A vingança do homem comum

O que melhor caracteriza a modernidade é a vingança do homem comum sobre o homem de gênio. Em todas as esferas, são seus interesses que predominam; para onde quer que se volte os olhos, é sua face que se encontra em destaque. A vitória é completa. E exatamente disso deriva o sufocamento da cultura e das altas aspirações, que ora encontram uma hostilidade quase invencível para germinar. O homem comum as não tolera, e bate nas portas como missionário a fim de doutrinar. Talvez nunca tenha sido tão difícil e tão necessário um esforço para ignorá-lo e não se permitir contaminar.

O Brasil é o país onde intelectuais verdadeiros…

Destacadamente, o Brasil é o país onde intelectuais verdadeiros, quando não invejados, — manifestação rara só possível naqueles que os reconhecem, — são de praxe ridicularizados. A índole do povo repugna o estudo sério. Somando-se a este fato uma infinidade de outras precariedades, temos que as circunstâncias em que vigoraram os grandes intelectuais brasileiros, na melhor das hipóteses, foram-lhes inimigas, ainda que não agressivamente, mas incentivando-os a tomar outra direção. O mais frequente, porém, é um cenário nocivo a um nível inimaginável à maior parte dos pensadores mundiais. E vemos que, no Brasil, por algo que parece mais que uma coincidência, quase todos os grandes intelectuais provieram de berços modestos e, num esforço individual e solitário, triunfaram não só intelectualmente, mas contra a própria realidade. Sem dúvida, tal é digno de grande reconhecimento, e o desprezo que os envolveu antes e frequentemente depois da morte é algo que não faz senão aumentar-lhes o valor.