Em todo plano de longo prazo, é fundamental estabelecer etapas a serem percorridas, cada qual encerrando um objetivo menor. Durante o processo, serão estas, muito mais do que aquele, a serem usadas como referências, e é nelas que a mente se deve concentrar. Assim, evita-se mirar um alvo demasiado distante, o qual se hesita na possibilidade de alcançar. Concentrando-se em pequenas metas e estágios de fim sempre visível, a motivação ganha a consistência necessária para não se deixar afetar pelo provável não será.
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O exercício da disciplina
O exercício da disciplina, mesmo em tarefas aparentemente pouco importantes, fortalece o senso de continuidade entre os dias, produzindo, no longo prazo, a consciência de um ritmo próprio que satisfaz-se enquanto trata de evoluir. Daí brota o prazer de simplesmente dar sequência àquilo que se começou no passado, com perícia superior à de ontem e inferior à de amanhã. Com o tempo, a evolução torna-se motivo de orgulho, e se experimenta na rotina, concretizadora de uma obra demorada, um forte envolvimento emocional.
Os benefícios que a solidão proporciona ao intelectual…
Os benefícios que a solidão proporciona ao intelectual são conhecidos. Pode-se dizer, mesmo, que uma dose incomum de solidão é-lhe indispensável. Ocorre, porém, que às vezes não se dá importância devida à verdadeira bênção que são as boas companhias. Há quem nunca pôde desfrutá-las e, em resposta ao impedimento, teve de se decompor. Porque algo está evidente: a personalidade reforça-se quando usufrui da presença regular de seus pares; e tende a se enfraquecer se apenas consegue afirmar-se na solidão. A diferença é haver ou não um ambiente apto a acolhê-la, e tal ambiente só com muita sorte se consegue criar. Está, pois, em tremenda desvantagem aquele que se permite uma vida dupla para não abandonar de todo o convívio social: a sua face inferior, por quanto tempo viva, forceja por destruir o último resquício daquela parte nobre cuja maior glória possível numa existência consiste em conseguir que se faça manifestar.
A insatisfação com o tempo é compreensível…
A insatisfação com o tempo é compreensível porque ele parece sempre contrariar as expectativas. Quando se quer que ele passe logo, ele se mostra moroso; quando se quer o contrário, ele se mostra veloz. Assim que a espera é sempre demasiado longa, e os bons momentos fugazes. Oscila-se entre anseios que não se realizam e oportunidades que escorrem pelas mãos. A conclusão é que nada se pode aproveitar. No entanto, percebe-se com os anos que, embora não se consiga atrasar ou acelerar a passagem do tempo, sempre se consegue transformar em realidade a insatisfação. Não há outra lição a se aprender: tudo se encerra neste mínimo manejável, para o qual o esforço consciente deve convergir.