Demora um pouco para entender…

Demora um pouco para entender que só é possível ter, ou melhor, só é possível buscar uma pequena parte daquilo que se deseja. E que, assim sendo, é preciso definir prioridades, é preciso escolher. Então que, curiosamente, descobre-se que limitar-se é distinguir-se, e que ater-se ao pouco é recompensar-se com maior satisfação. Dizendo desta forma, parece pouca coisa, mas a diferença é enorme entre o homem comum e aquele que despiu-se do desnecessário, tornou-se mais leve e permitiu-se concentrar naquilo que verdadeiramente quer.

Realmente, a vida seria impossível sem…

Realmente, a vida seria impossível sem a certeza da impermanência, que se dá cotidianamente sob a expectativa de que algo pode mudar. Possível a mudança, é também possível a ação. E ainda que por vezes a consciência falhe, logo a realidade trata de restabelecê-la, desfazendo quanto parecia estável e incitando o movimento uma vez mais. Ao homem, por quanto tempo viva, é sempre concedida a condição de alterar.

O melhor que faz o aluno para fixar o conteúdo…

O melhor que faz o aluno para fixar o conteúdo recém-aprendido é expô-lo, ainda que parcial ou imperfeitamente. Tal o sabem professores e alunos e, por isso, é prática usual. Contudo, também fica evidente que ao fazê-lo, se não o encarando como mero exercício, arrisca-se arbitrar sobre o conhecimento ainda não consolidado, e naturalmente se erra, e se erra muito. O curioso é parecer este um processo necessário, e frequentemente nos depararmos com o conhecedor que, anos antes, vagueou por bem longe de onde o conhecimento o conduziu. Dominar um assunto talvez não seja mais que reunir intimamente o arsenal dos erros que impedem a sua compreensão.

A afirmação de valores dá-se quase sempre…

A afirmação de valores dá-se quase sempre como reação à propagação dos valores inversos, frequentemente em situações nas quais o silêncio seria a extinção. A ameaça veda a inércia, atestando que, para existir, um valor tem de se manifestar. Acontece que, por vezes, a reação é tardia, e sai como o último suspiro de algo agonizante, pelo qual nada mais se pode fazer. Em silêncio, acabou por permitir-se esmagar…