Embora seja muito mais satisfatório…

Embora seja muito mais satisfatório e estimulante deixar-se guiar estritamente pelo interesse à medida que se avança nos estudos, não há dúvida de que, às vezes, tal postura faz brotar um sentimento de estagnação. Isso porque, adotando a via contrária, isto é, quando se realiza um estudo sistemático e aprofundado numa área específica do conhecimento, a evolução se faz demasiado evidente. A terminologia, de absorvida, passa a ser corriqueira; mais e mais detalhes são assimilados, em ato que fortalece também a base da disciplina, a qual parece tornar-se cada vez mais óbvia. Porém, neste percurso, costuma chegar-se a um ponto em que se nota o grande distanciamento já consumado daquele estímulo inicial motivador do interesse. Então, o impulso filosófico, por essência sintetizador, reclama da inutilidade da especialização e pede abrangência. Assim, a tendência é adotar a postura anterior. Estagnação e inutilidade, pois, são os fantasmas que o estudante tem de aprender a espantar.

Dificilmente se consegue direcionar a vontade…

Dificilmente se consegue direcionar a vontade e controlar quando se alcançará aquilo que se quer. O mais das vezes, quando o tempo não faz com que o intento esmoreça, seja este de longo prazo e, então, virá apenas quando tiver de vir. Salvo engano, é Swami Sivananda quem diz que os desejos mais nobres só se realizam ao renunciá-los, após muitas lágrimas e grande desgaste. Seja como for, a imersão no processo às vezes distrai a mente do avanço que faz; progride-se imperceptivelmente, quando não se experimentando a sensação de estagnação. Quando menos se percebe, atingiu-se o objetivo desejado ou, em casos mais belos, este simplesmente aparece, como por graça.

Um aspecto negligenciado, mas que demarca…

Um aspecto negligenciado, mas que demarca muito bem a evolução de uma personalidade, é a sucessão de rompimentos, conscientes ou não, que vai solidificando aquilo que se pode chamar de passado, e aumentando a lista daquilo que já se superou. Aqui, entram as amizades. Perdê-las sem traumas, de bom grado quando não também voluntariamente, é sinal de que se caminha em alguma direção. Assim, o não perdê-las deveria preocupar, como o deveria a ausência prolongada de rupturas significativas, por talvez sinalizarem uma indesejada estagnação. Quando se avança, algo sempre se deixa para trás.

Tão intensa quanto a vontade de estudar…

Tão intensa quanto a vontade de estudar e conhecer é a angústia experimentada naqueles dias em que o conhecimento possível parece irrelevante, limitadíssimas as possibilidades e insuficientes os meios de conhecer. E parece que o tempo só faz intensificá-las, à medida que a morte se aproxima e é preciso chegar logo a algumas conclusões. Agravam-se ao mesmo tempo a urgência e a sensação de tempo perdido, já numa fase em que se pensava poder-se apaziguar. Não há solução: é deixar que passe o fugaz nisso tudo e aproveitar ao máximo o impulso positivo, estimulante, quiçá um tanto ilusório, mas que não se esgota e traz sempre um motivo para querer acordar.