O destino de todo estudante sério é a solidão

O destino de todo estudante sério é a solidão. Se a ela não tem apreço, ou ao menos resistência, sua empresa não terá vida longa e provavelmente fracassará. Por esse motivo, muitos acabam abandonando o estudo, ainda que acreditem não fazê-lo. Chega um ponto, porém, em que a estagnação é demasiado evidente, e só prospera aquele que possui coragem para caminhar sozinho. Por um tempo, às vezes para sempre, é inevitável não ter com quem conversar. Gostar deste cenário de paz e de silêncio não é para todos; e é bom que seja assim.

É uma loucura que se tenha chegado a afirmar…

É uma loucura que se tenha chegado a afirmar, e se tenha chegado a admitir que a filosofia é ocupação para quem gosta de “argumentos abstratos”. Isso demonstra o quão corruptora é a ação das universidades. Se não houvesse mais nada, a etimologia da palavra deveria ser suficiente para refutar o disparate. Mas, em verdade, a nova definição é mesmo mais precisa para retratar a leva moderna de filósofos, muito mais afeiçoados ao argumento que ao conhecer. A prática acadêmica criou esse novo tipo, impugnando dos forasteiros as credenciais para exercer a velha ocupação. Deve ser dureza ter de levá-los a sério em troca de um pagamento mensal…

Talvez o elemento mais comum em biografias…

Talvez o elemento mais comum em biografias frustradas de homens talentosos seja a incapacidade de frear um curso de acontecimentos indesejável, a incapacidade de, enfim, contrariar o conveniente em benefício da própria afirmação. Nisto, se acabam desperdiçando. O talento não vem acompanhado da responsabilidade para consigo; e esta, se não desenvolvida e cultivada, fará com que as grandes possibilidades se dispersem num grande lamento.

Se fosse possível perceber, sempre que algo…

Se fosse possível perceber, sempre que algo é perdido, aquilo que necessariamente se ganha com perdê-lo, a vida seria encarada de maneira muito diferente. Em primeiro lugar porque haveres pesam, consomem e acorrentam: a tristeza em perdê-los seria compensada pela consciência da liberação. Mas, sobretudo, porque perceber essa ambiguidade, às vezes velada, mas onipresente, é situar-se muito melhor numa realidade que simultaneamente priva e possibilita, deixando, sempre, espaço para o fortalecimento e para a afirmação.