O vocábulo “estudo”

O vocábulo “estudo”, na acepção comum, diz respeito a adquirir capacitação para o desempenho de uma função profissional. O “estudo”, se tomado como a busca pela resposta a questões de natureza pessoal, existencial ou como a mera investigação da existência, já não é “estudo”, e sim passatempo. Quer dizer: se não destinado a uma finalidade prática, o esforço é menos nobre, dispensável. Isso, claro, é o que pensa o pragmatismo destes dias, o pragmatismo que dimensiona a própria sagacidade já velho, agonizando num leito de hospital.

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Dignidade

Dignidade: insubmissão ao destino; recusa terminante em representar um papel social; reação contrária aos instintos; liberdade, mesmo que em privação e dor; capacidade de escolher e assumir a responsabilidade pelos próprios atos; resiliência à fortuna; esforço ainda que inútil; respeito da própria consciência.

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A personalidade é demarcada por escolhas

A personalidade é demarcada por escolhas. E, naturalmente, a falta de personalidade é a incapacidade de escolher. Admito aconchegante ter o meio como arquiteto da realidade: isso é não menos que eximir-se de qualquer responsabilidade. Contudo, é assumir-se submisso, evidenciar uma compreensão míope e limitadíssima da existência. Raskólnikov não é o corolário de um meio injusto e opressivo, mas o retrato de uma ação consciente e suas consequências. Faz bem lembrar de Viktor Frankl: o ser humano é a reação às circunstâncias; o ato final veda qualquer resposta, mas o restante da peça cederá sempre espaço à ação.

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O determinismo é medíocre e covarde

O determinismo é, antes de tudo, medíocre e covarde. Ainda que seja, em alguma medida, ironizada severamente pelo fado, uma compreensão da realidade que ceda espaço ao livre-arbítrio é infinitamente superior a resumir o ser humano num fantoche. Se o mérito acaba inexoravelmente em derrota e, muitas e muitas vezes, vacila ou é tombado em seu próprio campo de ação, não quer dizer que não entregue dignidade ao ser que se escusa de justificativas que não fazem senão evidenciar a própria impotência. Compreender o mundo como imune à ação humana e a ação humana como um fenômeno incontrolável é resumir o ser humano num cachorro — o que pode até ser verdade, desde que não tomada como universal.

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